
O psiquiatra Augusto Cury, autor de mais de 80 livros e com mais de 40 milhões de exemplares vendidos, alerta para um fenômeno preocupante: a era dos mendigos emocionais. Jovens, imersos em um fluxo incessante de informações digitais, desenvolvem uma busca superficial por validação, tornando-se dependentes da aprovação alheia e perdendo a capacidade de gerir suas próprias emoções.
Cury, que dedicou mais de três décadas ao estudo da mente humana, explica que o excesso de informações, comparável a ter mais dados que um imperador romano na palma da mão através de um smartphone, acelera o pensamento e gera ansiedade. Essa condição, segundo ele, leva muitos a se auto diagnosticarem erroneamente com TDAH, quando na verdade a mente está apenas sobrecarregada.
Em uma entrevista reveladora, o psiquiatra compartilha insights sobre como lidar com essa realidade, oferecendo dicas práticas para fortalecer a saúde mental e resgatar o protagonismo da própria vida. A fonte para estas reflexões é a própria experiência de vida e o estudo aprofundado de Cury sobre o sofrimento emocional.
A dor como professora e a gestão da mente
Augusto Cury relata que sua incursão pela psiquiatria foi impulsionada por uma depressão pessoal. Essa vivência o ensinou que as lágrimas não choradas podem ser mais dolorosas do que as expressas. Ele destaca que a dor, a angústia e a frustração são, na verdade, mestras importantes na construção do indivíduo, se não nos tornarmos vítimas delas.
A capacidade de gerir a própria mente é um dos pilares abordados por Cury. Ele explica o fenômeno do registro automático da memória (Ran), que arquiva experiências, especialmente as dolorosas. No entanto, o psiquiatra aponta que é possível reeditar essas “janelas killer” ou traumáticas, reescrevendo as narrativas negativas que nos aprisionam.
A armadilha da tecnologia e a busca pela felicidade real
A tecnologia, embora ofereça acesso a um universo de informações, pode se tornar uma armadilha. Cury compara a situação atual à “doença dos filósofos”, onde o acesso massivo a dados gera uma falsa sensação de conhecimento, impedindo a contemplação e o aprofundamento. Jovens e adultos, imersos nesse ciclo, tornam-se “mendigos emocionais”, incapazes de encontrar alegria nas pequenas coisas.
Cury desmistifica a ideia de uma fórmula para a felicidade. Ele a define como um treinamento contínuo, que envolve treinar o olhar para valorizar o cotidiano e impugnar pensamentos perturbadores. A felicidade genuína, segundo ele, não é um dom, mas uma conquista diária, mesmo diante de dificuldades e frustrações.
O impacto de Augusto Cury e o futuro da educação
O psiquiatra atribui seu sucesso à sua profunda dedicação ao estudo da construção do pensamento e da gestão da emoção, o que o permitiu escrever prolificamente. Ele disponibiliza gratuitamente seu programa “School of Thinkers” para escolas em todo o mundo, buscando transformar a educação e formar pensadores críticos.
Cury acredita que a educação tradicional, focada em dados e racionalismo, tem contribuído para o aumento de casos de ansiedade e depressão. Seu programa visa incentivar a arte de perguntar e pensar, capacitando os alunos a serem protagonistas de suas histórias.
Desacelerar para viver: a lição para a era digital
Diante do ritmo acelerado imposto pela era digital, Cury aconselha a desacelerar a mente. Ele ressalta que a ansiedade é uma condição natural, mas que se torna doentia quando o excesso de informação e a constante necessidade de fazer mais impedem o indivíduo de se conectar consigo mesmo. A comparação excessiva, especialmente através das redes sociais, é apontada como um “câncer” que gera infelicidade.
A lição final de Augusto Cury é que, embora o passado possa explicar as dificuldades presentes, ele não deve definir o futuro. É fundamental ser o autor da própria história, gerindo as emoções e utilizando as ferramentas disponíveis, como a tecnologia, de forma consciente e a favor do desenvolvimento pessoal, e não como uma fonte de superficialidade e sofrimento.
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